Qual paciente com dor lombar se beneficia da ativação do CORE?

Muito se fala sobre exercícios de ativação do CORE (vulgo estabilidade) na dor lombar. Muitas discussões já assolaram as redes sociais, depois que diversos artigos de revisão sistemática demonstraram que a intervenção é benéfica a curto prazo, apesar de não ser melhor que qualquer outro exercício (1-4).

Afinal, o modelo biopsicossocial vem mostrando que a dor lombar é uma disfunção extremamente complexa, e basear o tratamento apenas na dor torna-se incompleto. A partir disso, várias regras de predição clínica vem sendo criadas, direcionando os pacientes a determinados subgrupos de tratamento, ou seja, tratamentos que funcionam especificamente para um grupo de pacientes, por conta de características similares entre eles.

De forma mais simples: as revisões sistemáticas mostraram que não existe um exercício melhor do que o outro para dor lombar (principalmente a crônica), porém, quando você divide esses pacientes de acordo com certas características, a história passa a ser um pouco diferente (5, 6).

É aí que está o pulo do gato, de acordo com os subgrupos, senhoras e senhores.

Afinal, para qual paciente deve-se utilizar a ativação do CORE?

Uma regra de estratificação para ativação do CORE em indivíduos com dor lombar foi validada. Esta regra aponta alguns fatores que foram preditivos de melhora, para pacientes com dor aguda e subaguda. São eles:

1) Idade menor que 40 anos;

2) Teste de elevação da perna reta (SLR) passivo, com média bilateral de mais de 91 graus;

3) Movimentos aberrantes da coluna vertebral;

4 ) Teste de instabilidade em prono positivo;

Supondo que um paciente tenha 50% de chances de melhorar com uma intervenção de ativação do CORE (estabilização), uma regra de predição clínica positiva aumenta a probabilidade para 80%.

Mas atenção: não basta 1 ou 2 testes serem positivos. Necessita-se que 3 ou mais desses fatores estejam presentes para a ativação do CORE ser benéfica nesses pacientes. Não descobriu-se o fator causal para isso, mas uma hipótese é que esteja relacionada a excesso de flexibilidade.

Lembrando que essa regra se aplica especificamente a pacientes com dor lombar aguda e subaguda. Em indivíduos com dor lombar crônica, ou indivíduos sem dor, as regras não tem validação específica.

Podemos bater o martelo? Não. Os subgrupos vão funcionar sempre para todos os pacientes? Também não. Porém, a ciência nos dá um caminho mais confiável, e aponta que existe uma probabilidade grande de que se você utilizar essas regras na avaliação do seu paciente com dor lombar, seu sucesso vai ser melhor do que simplesmente “estabilizar o CORE de todo mundo”.

Não é milagre, não é magia. É ciência.

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REFERÊNCIAS

1 Ferreira P, Ferreira M, Maher C, Herbert R, Refshauge K. Specific stabilisation exercise for spinal and pelvic pain: a systematic review. Aust J Physiother 2006;52:79–88.

2 Saragiotto BT, Maher CG, Yamato TP, Costa LO, Costa LC, Ostelo RW, Macedo LG. Motor Control Exercise for Nonspecific Low Back Pain: A Cochrane Review. Spine (Phila Pa 1976). 2016 Aug 15;41(16):1284-95.

3 Wang XQ et al. A meta-analysis of core stability exercise versus general exercise for chronic low back pain. PLoS One. 2012;7(12):e52082. doi: 10.1371/journal.pone.0052082. Epub 2012 Dec 17.

4 Smith BE, Littlewood C, May S. An update of stabilisation exercises for low back pain: a systematic review with meta-analysis. BMC Musculoskelet Disord. 2014 Dec 9;15:416.

5 Fritz JM, Cleland JA, Childs JD. Subgrouping patients with low back pain: evolution of a classification approach to physical therapy. J Orthop Sports Phys Ther. 2007 Jun;37(6):290-302.

6 Alrwaily M, Timko M, Schneider M, Stevans J, Bise C, Hariharan K, Delitto A. Treatment-Based Classification System for Low Back Pain: Revision and Update. Phys Ther. 2016 Jul;96(7):1057-66.

4 comentários em “Qual paciente com dor lombar se beneficia da ativação do CORE?

  1. Ótima publicação! Sou estudante de fisioterapia do IFRJ e tenho bastante interesse no assunto dor lombar. Te acompanho no insta a um tempo e admiro muito seu trabalho. Parabéns e sucesso! (Trás o curso pro RJ)

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    1. Valeu, Diego! Fico feliz que esteja gostando das publicações. Estou programando nova turma no Rio ano que vem, no primeiro semestre.

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