Postura ideal, existe consenso na literatura?

Em casos de dor lombar, normalmente uma das primeiras intervenções que se realiza no consultório é a avaliação da postura estática em pé do paciente. De forma geral, procura-se alterações posturais tentando associá-las com a dor, ou seja, quanto mais a postura do paciente se afasta da postura “ideal”, proposta na literatura, mais estaria associada a dor lombar.

Mas… o que seria uma postura ideal?

Não existe consenso na literatura. Existem mais de 30 definições de postura (pasme!), e dessas, escolhi a que está abaixo, pois possui parâmetros mais próximos ao raciocínio científico atual:

“Uma boa postura para uma tarefa específica representaria uma interação complexa entre biomecânica e função neuromuscular. A postura boa pode ser influenciada por demandas para evitar movimentos, coordenar movimentos, carregar com segurança os segmentos da coluna ou economizar energia” (1).

Mas relembrando, escolhi a definição acima baseado no meu raciocínio científico. Não existe consenso sobre o que seria uma postura ideal.

Sobre a postura sentada, temos o mesmo problema. Os livros atuais sobre avaliação musculoesquelética são usados como base para o conselho ergonômico, mas eles não têm consenso sobre o posicionamento ideal das curvas da coluna. Cada livro descreve um formato de curva ideal diferente, no momento de sentar (2, 3, 4, 5, 6).

Assim, após essa reflexão baseada em evidências, deixo uma pergunta para você:

Se não sabemos o que é uma postura ideal, será que a avaliação postural estática é um instrumento fidedigno?

Semana que vem, a resposta a essa pergunta.

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REFERÊNCIAS

1 Claus AP, Hides JA, Moseley GL. Hodges PW. Is ‘ideal’ sitting posture real?: Measurement of spinal curves in four sitting postures. Manual Therapy 14 (2009) 404–408

2 Magee DJ. Thoracic (dorsal) spine. In: Orthopedic physical assessment. 4th ed. Philadelphia: Saunders Elsevier; 2006. p. 425–65.

3 Kendall FP. Posture. In: Muscles: testing and function with posture and pain. 5th ed. Baltimore: Lippincott Williams & Wilkins; 2005. p. 49–117.

4 Sprague RB. Differential assessment and mobilisation of the cervical and thoracic spine. In: Donatelli R, Wooden MJ, editors. Orthopaedic physical therapy. 3rd ed. New York: Churchill Livingstone; 2001. p. 108–43.

5 Lee L. Ch 7: restoring force closure/motor control of the thorax. In: Lee D, editor. The thorax: an integrated approach. 2nd ed. Minneapolis: OPTP; 2003. p. 103–35.

6 O’Sullivan PB. ‘Clinical instability’ of the lumbar spine: its pathological basis, diagnosis and conservative management. In: Boyling JD, Jull GA, editors. Grieve’s modern manual therapy: the vertebral column. 3rd ed. Edinburgh: Churchill Livingstone; 2004. p. 311–31.

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