Como você prescreve exercícios de controle motor?

Um paciente com dor lombar chega ao seu consultório, você o avalia e descobre que ele necessita melhorar o controle motor da região lombo-pélvica. Existem diversas formas de trabalhar o controle motor e não existe um tipo de exercício melhor que o outro, de acordo com a literatura atual. Você poderia atender com Pilates, Estabilização Segmentar, Yoga, Movimentação Natural, Exposição Gradual, Imagética Motora ou qualquer outra metodologia que pudesse abordar a região com foco no sistema nervoso central.

Agora, lhe pergunto: qual dosagem você utiliza para esse paciente? Quantas vezes por semana ele precisa realizar os exercícios? Qual o volume? Qual a intensidade? Quanto tempo de repouso entre cada série?

Tenho certeza que você se saiu bem na frequência. Como Fisioterapeuta, aprendi que um paciente que faz exercícios de controle motor, precisa realizá-los pelo menos de 2 a 3 vezes por semana.

E quanto ao volume? Esse paciente precisa fazer muitos exercícios, ou apenas 2 são o suficiente? Ele precisa fazer em uma intensidade alta, ou pode fazer numa intensidade baixa? Ele deve fazer até fadigar totalmente, ou deve parar antes da fadiga?

Tenho certeza, novamente, que você tem ideia do que estou falando. Mas se perguntar qual a referência que você utiliza para prescrever, provavelmente vai lembrar de algum curso que fez, ou de algum professor na faculdade, talvez um livro. Mas dificilmente, uma referência de artigo científico que fale sobre parâmetros de prescrição de forma concreta, baseada em evidências.

Se para realizar um treino de hipertrofia, é necessário conhecer e aplicar variáveis como volume, intensidade, repouso, porque pro tratamento da dor lombar com exercícios de controle motor não? Não é exercício? Exercício não tem a ver com metabolismo? Metabolismo não tem a ver com gasto energético e vias fisiológicas?

Será que continuar prescrevendo exercício de forma genérica (3 séries de 10, por exemplo) para seus pacientes com dor lombar é interessante?

As poucas referências que falam sobre dosagem em controle motor citam uma frequência de 2 a 3 vezes por semana, por 8 semanas. Mas não falam nada sobre outras variáveis, nem muito menos citam boas referências que explicam o porquê dessa escolha (1).

Estudos sobre exercícios terapêuticos muitas vezes não fornecem detalhes sobre as técnicas de exercício específicas utilizadas e o protocolo de exercício exato que foi prescrito ou seguido (2). Além disso, as diretrizes e revisões sistemáticas freqüentemente combinam várias formas de exercício terapêutico e ignoram diferenças importantes entre os diferentes tipos de exercício, bem como diferentes protocolos para administração (3, 4, 5, 6). Por sua vez, isso resultou em conclusões diferentes quanto à eficácia de diferentes tipos de exercício para dor lombar crônica (7).

As revisões sistemáticas nada mais são do que um resumo estatístico da eficácia dos artigos que são lançados. Para prescrever melhor, são necessários estudos que analisem essas variáveis de uma forma mais específica, para podermos gerar subgrupos com resultados mais expressivos e assim, prescrever de forma mais individualizada. Simplesmente dizer que os exercícios de controle motor não funcionam (8, 9, 10, 11, 12), sem considerar volume, intensidade e repouso (além de todas as variáveis psicossociais), dificulta o processo de aplicação dos exercícios na prática clínica.

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REFERÊNCIAS

1 Hoffmann TC, Maher CG, Briffa T, Sherrington C, Bennell K, Alison J, Singh MF, Glasziou PP. Prescribing exercise interventions for patients with chronic conditions. CMAJ. 2016 Apr 19;188(7):510-8. doi: 10.1503/cmaj.150684. Epub 2016 Mar 14.

2 Mayer J, Mooney V, Dagenais S. Evidence-informed management of chronic low back pain with lumbar extensor strengthening exercises. Spine J. 2008 Jan-Feb;8(1):96-113.

3 Ferreira P, Ferreira M, Maher C, Herbert R, Refshauge K. Specific stabilisation exercise for spinal and pelvic pain: a systematic review. Aust J Physiother 2006;52:79–88.

4 Hayden JA, van Tulder MW, Malmivaara A, Koes BW. Exercise therapy for treatment of non-specific low back pain. Cochrane Database Syst Rev 2005;3. CD000335.

5 Liddle SD, Baxter GD, Gracey JH. Exercise and chronic low back pain: what works? Pain 2004;107:176–90.

6 Smeets R, Wade D, Hidding A, Van Leeuwen P, Vlaeyen J, Knottnerus J. The association of physical deconditioning and chronic low back pain: a hypothesis-oriented systematic review. Disabil Rehabil 2006;28:673–93.

7 Steele J, Bruce-Low S, Smith D. A reappraisal of the deconditioning hypothesis in low back pain: review of evidence from a triumvirate of research methods on specific lumbar extensor deconditioning. Curr Med Res Opin. 2014 May;30(5):865-911.

8 Saragiotto BT1, Maher CG, Yamato TP, Costa LO, Costa LC, Ostelo RW, Macedo LG. Motor Control Exercise for Nonspecific Low Back Pain: A Cochrane Review. Spine (Phila Pa 1976). 2016 Aug 15;41(16):1284-95.

9 Wang XQ et al. A meta-analysis of core stability exercise versus general exercise for chronic low back pain. PLoS One. 2012;7(12):e52082. doi: 10.1371/journal.pone.0052082. Epub 2012 Dec 17.

10 Smith BE, Littlewood C, May S. An update of stabilisation exercises for low back pain: a systematic review with meta-analysis. BMC Musculoskelet Disord. 2014 Dec 9;15:416.

11 Yamato TP, Maher CG, Saragiotto BT, Hancock MJ, Ostelo RW, Cabral CM, Costa LC, Costa LO. Spine (Phila Pa 1976). 2016 Jun;41(12):1013-21. Pilates for Low Back Pain: Complete Republication of a Cochrane Review.

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