Devemos confiar sempre nas evidências?

A órtese lombar (corsetes ou cintos) é proposta como parte da vasta gama de opções terapêuticas e preventivas na prática (1-6). O efeito antálgico é esperado devido ao controle da mobilidade lombar, à imobilização relativa da coluna lombar e a alguns efeitos subjetivos (calor, massagem, estimulação contínua) (3, 7).

Mas será que existe evidência da sua eficácia?

Três revisões sistemáticas sobre a eficácia das cintas na dor lombar informou que seu uso como meio de prevenção não é provado, além de evidências limitadas de eficiência dos suportes lombares em comparação com nenhum tratamento ou outras intervenções para o tratamento da dor lombar (8, 9, 10).

As 3 revisões sistemáticas bastam para não prescrever o uso de cintas na dor lombar? Devo deixar de prescrever a cinta para todos os pacientes com dor lombar? De forma nenhuma.

De acordo com Van Tulder, em uma de suas revisões, poucos estudos foram realizados sobre a eficácia terapêutica dos cinturões lombares e, aqueles que foram realizados estão agora desatualizados (a última revisão e de 2007, mais de dez anos atrás!), além de conter resultados contraditórios e ou muitas vezes não são comparáveis. Além disso, a fraqueza metodológica da maioria desses estudos relatados na revisão não permite uma interpretação robusta de seus resultados (9).

Assim, não podemos simplesmente aceitar o que está escrito em uma revisão ou qualquer outro artigo, sem raciocinar acerca do nível das evidências que estão no mesmo, e dos outros fatores que podem influenciar na tomada de decisão clínica.

Essa semana postarei mais um texto no blog, onde irei me aprofundar mais sobre o assunto através de um caso clínico.

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REFERÊNCIAS

1 Calmels P, Fayolle-Minon I. An update on orthotic devices for the lumbar spine based on a review of the literature. Rev Rhum (Eng Edit) 1996;63: 285–91.

2 Valle-Jones JC, Walsh H, O’Hara J, et al. Controlled trial of a back support in patients with non-specific low back pain. Curr Mel Res Opin 1992;12: 604–613.

3 Koes BW, van Den Hoogen HMM. Efficacy of bed rest and orthoses on low back pain. A review of randomized clinical trials. Eur J Phys Med Rehabil 1994;4:86–93.

4 Barron A, Feuerstein M. Industrial back belts and low back pain: mechanisms and outcomes. J Occup Rehabil 1994;4:125–39.

5 Minor SD. Use of back belts in occupational settings. Phys Ther 1996;76: 403–8.

6 Dillingham TR. Lumbar supports for prevention of low back pain in the workplace. JAMA 1998;279:1826–8.

7 van Poppel MN, de Looze MP, Koes BW, et al. Mechanisms of action of lumbar supports: a systematic review. Spine 2000;25:2103–13.

8 Jellema P, van Tulder MW, van Poppel MN, et al. Lumbar supports for prevention and treatment of low back pain: a systematic review within the framework of the Cochrane Back Review Group. Spine 2001;26:377–86.

9 van Tulder MW, Jellema P, van Poppel MN, et al. Lumbar supports for prevention and treatment of low-back pain (Cochrane Review). The Cochrane Library. Chichester, UK: John Wiley & Sons; 2004.

10 van Tulder MW, Jellema P, van Poppel MN, et al. Lumbar supports for prevention and treatment of low-back pain. Cochrane Database Syst Rev 2007:CD001823.

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