Não se esqueça do Bio. Carregar peso possui relação com dor lombar

Um estudo prospectivo de coorte de 3 anos (!), com 861 trabalhadores sem dor lombar holandeses, investigou a relação entre flexão e rotação do tronco e levantamento no trabalho e a ocorrência de dor lombar.

A incidência cumulativa de dor lombar nos 3 anos foi de 26,6%. O risco de dor lombar começou a aumentar quando uma carga de 25 kg ou mais foi levantada mais de 15 vezes por dia útil de 8 horas. A divisão adicional da categoria de elevação de exposição mais alta mostrou um risco relativo de ter dor lombar para quem fazia elevação de 25 kg ou mais de 15 a 25 vezes por dia útil de 8 horas (em (1,57 IC 95%: 1,04-2,37) e risco relativo de ter dor lombar para quem fazia elevação de carga de pelo menos 25 kg mais de 25 vezes por dia útil de 8 horas (1,74 IC 95%: 1,06-2,88), em comparação com nunca elevar essa carga.

Além disso, observou-se um risco aumentado de dor lombar para trabalhadores que mantém o tronco em um mínimo de 60° de flexão por mais de 5% do tempo de trabalho (RR 1.5, IC 95% 1.0-2.1); para os trabalhadores que trabalharam com o tronco em um mínimo de 30° de rotação por mais de 10% do tempo de trabalho (RR 1,3, IC 95% 0,9-1,9).

Os autores concluem que a flexão e rotação do tronco e levantamento no trabalho são fatores de risco moderados para a dor lombar, especialmente em níveis maiores de exposição.  As cargas extremas de flexão e elevação do tronco de 25 kg ou mais parecem ser especialmente importantes.

Apesar do “boom” das questões psicossociais na dor lombar, não podemos esquecer que existem as variáveis biomecânicas, ou seja, a parte biológica (BIO), do modelo Biopsicossocial. Ignorar essas questões, além de tudo o que já foi estudado no modelo biomédico pode gerar viés na avaliação e prejudicar a evolução do tratamento do indivíduo com dor lombar.

Mas se você tem um viés (tendência) biomecânico muito forte em relação ao tratamento da dor lombar não se empolgue muito. Este é um estudo observacional, ou seja, apenas observa o que acontece no ambiente e tenta achar relações entre as partes. As inferências deste estudo não permitem concluir qual forma de prevenção ou de tratamento é melhor para estes trabalhadores. Apenas com a realização de estudos clínicos randomizados e controlados de qualidade, isso será possível.

Saiba mais sobre fatores associados a dor lombar. Conheça a consultoria online baseada em evidências clicando aqui.

REFERÊNCIA

Hoogendoorn WE, Bongers PM, HCW de Vet, Marjolein Douwes M, Koes BW, Miedema MC, Arie ̈ns GAM, Bouter LM. Flexion and Rotation of the Trunk and Lifting at Work Are Risk Factors for Low Back Pain. Results of a Prospective Cohort Study. SPINE Volume 25, Number 23, pp 3087–3092.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto:
search previous next tag category expand menu location phone mail time cart zoom edit close