Como saber se a informação é um mito? – Linguagem Científica 1

Vivemos na era digital, bombardeados por informação. Não sei se você sabe disso, mas nem tudo que está em um artigo científico é de boa qualidade. Por isso, a partir dessa semana começarei uma série falando sobre como aprender a entender melhor a linguagem científica em saúde, para filtrar a informação que chega até você.

Como saber se você está de frente com uma informação que é mito científico? De acordo com Hartvigsen J et al (1), a criação de um mito científico provavelmente requer várias premissas:

1 A confusão ou uma falta de conhecimento preciso, combinado com um interesse em prover respostas em um curto espaço de tempo;

Por exemplo: a demanda de pacientes com dor lombar que aumentam a cada ano (2), juntamente com a formação dos profissionais de saúde pautada no modelo biomédico (3) ajudaram a difundir o mito que sentar causa dor lombar.

2 Grau razoável de argumentos lógicos, providos por estudos de qualidade duvidosa;

Artigos de biomecânica, transversais e com um baixo nível de evidência, foram utilizados para fomentar ainda mais que “sentar causa dor lombar” e sua relação com mudanças na pressão no disco (4, 5, 6).

3 A falta de argumentos opostos com o passar do tempo, ou o viés de citação sistemática, ou seja, citar uma fonte sem pesquisar se ela está realmente certa;

A utilização desenfreada de uma imagem citada em um dos artigos (5), sem ler o devido artigo ou pesquisar se existem fontes melhores sobre o assunto acabaram gerando a “certeza que sentar causa dor lombar por hérnia de disco”.

Desafiar um mito científico e propor um diferente ponto de vista é difícil. A pirâmide de evidência e as diversas variáveis devem ser consideradas antes de extrapolar um modelo para a realidade clínica. Em qualquer assunto com informação confusa, as revisões sistemáticas e as meta-análises ajudam a clarear as ideias (1, 7).

Existem muitos artigos científicos ruins por aí, que juntamente com a falta de conhecimento científico dos profissionais de saúde, foram os responsáveis por difundir diversos mitos científicos pela nossa sociedade. Saber filtrar a enorme quantidade de informação científica lançada é extremamente importante para direcionar a leitura e facilitar a atualização profissional.

Como saber se a informação é um mito científico?

Pesquise sobre a informação em fontes científicas de confiança

Em postagens posteriores falarei mais sobre como pesquisar a informação, bem como saber se determinado artigo merece sua confiança. Até lá, não tenha vergonha em pedir auxílio. Até hoje, quando tenho dificuldade com a interpretação de algum artigo e não consigo respostas nas fontes científicas, peço ajuda aos colegas próximos ou a grupos nas redes sociais.

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REFERÊNCIAS

1 Hartvigsen J, Leboeuf-Yde C, Lings S, H. Corder EH. Is sitting-while-at-work associated with low back pain? A systematic, critical literature review. Scand J Public Health 2000 28: 230.

2 Freburger JK, Holmes GM, Agans RP, et al. The Rising Prevalence of Chronic Low Back Pain. Archives of internal medicine. 2009;169(3):251-258.

3 Domenech J, Sánchez-Zuriaga D, Segura-Ortí E, Espejo-Tort B, Lisón JF. Impact of biomedical and biopsychosocial training sessions on the attitudes, beliefs, and recommendations of health care providers about low back pain: a randomised clinical trial. Pain. 2011 Nov;152(11):2557-63.

4 Andersson GB. Epidemiology of low back pain. Acta Orthop Scand 1998; Suppl 281: 28 – 31.

5 Nachemson A, ElfstroÈm G. Intravital dynamic pressure measurements in lumbar discs. Scand J Rehabil Med 1970; Suppl 1: 1 – 40.

6 Magora A. Investigation of the relation between low back pain and occupation. 3. Physical requirements: sitting, standing, and weight lifting. Ind Med 1972; 41: 5 ± 9.

7 Greenhalgh T. Como ler artigos científicos: fundamentos da medicina baseada em evidências. 5 ed. Porto Alegre: Artmed: 2015

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