Relaxantes musculares na dor lombar

A terapia medicamentosa é um dos muitos possíveis tratamentos avaliáveis para alívio dos sintomas na dor lombar (1), e um dos mais conhecidos pela população.  Os medicamentos desempenham um papel importante na gestão da dor lombar, principalmente crônica, e se enquadram em quatro grandes categorias: relaxantes musculares, analgésicos (incluindo opióides), antidepressivos e antiinflamatórios não esteróides (AINEs) (2).

O termo “relaxantes musculares” é muito amplo e inclui uma ampla gama de medicamentos com diferentes indicações e mecanismos de ação. Podem ser divididos em duas categorias principais: medicamentos antiespasmódicos e anti-espasticidade (3).

Antiespasmódicos são usados para diminuir o espasmo muscular associado a condições dolorosas, como a dor lombar (3). Os medicamentos anti-espasticidade são usados para reduzir a espasticidade que interfere com a terapia ou função, como a paralisia cerebral, esclerose múltipla e lesões da medula espinhal (4).

Uma revisão sistemática com 30 ensaios clínicos randomizados ou randomizados duplo-cego (77% de alta qualidade; 80% com dor lombar aguda) evidenciou que os relaxantes musculares são eficazes para alívio sintomático a curto prazo em pacientes com dor lombar aguda e crônica, sendo similares na performance (3).

Os resultados mostraram evidência forte de que qualquer relaxante muscular seja mais eficaz do que o placebo para pacientes com dor lombar aguda, no quesito alívio da dor a curto prazo. No entanto, a incidência de efeitos colaterais como a sonolência, tonturas e outros foi alto. Efeitos colaterais (RR 1,50; IC 95%;1,14 a 1,98), especialmente do sistema nervoso central (RR 2,04; IC 95%; 1,23 a 3,37), foram significativamente mais prevalentes em pacientes que receberam relaxantes musculares.

Assim, os autores sugerem que os relaxantes musculares devem ser usados com precaução. Seu uso deve ser decidido por critério médico, pesando os prós e contras.

Saber o medicamento utilizado por seu paciente com dor lombar é importante, pois pode ser uma das vias para medir a eficácia do tratamento do profissional, além de explicar alguns sinais que o paciente com dor lombar pode aparentar. Por exemplo: um paciente fisioterápico com dor lombar que começa a apresentar sonolência excessiva durante as sessões poderia ser indagado sobre a utilização de relaxantes musculares. Ou de um ponto de vista ético não podemos atribuir a melhora de um paciente fisioterápico com dor lombar aguda que utilize relaxantes musculares somente a Fisioterapia. É preciso sempre levar em conta os efeitos do medicamento.

Nas próximas semanas irei postar mais sobre o uso dos outros grupos de medicamentos na dor lombar.

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REFERÊNCIAS

1 Urquhart DM, Hoving JL, Assendelft WJJ, Roland M, van Tulder MW. Antidepressants for non-specific low back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews 2008, Issue 1. Art. No.: CD001703

2 Chaparro LE, Furlan AD, Deshpande A, Mailis-Gagnon A, Atlas S, Turk DC. Opioids compared to placebo or other treatments for chronic low-back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews 2013, Issue 8. Art. No.: CD004959.

3 van Tulder MW, Touray T, Furlan AD, Solway S, Bouter LM. Muscle relaxants for non-specific low-back pain. Cochrane Database of Systematic Reviews 2003, Issue 2. Art. No.: CD004252.

4 Rosche J. Treatment of spasticity. Spinal Cord2002;40:261-2.

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