Estamos perdendo a guerra contra a dor lombar

Achar uma causa pra dor lombar é frequentemente difícil ou impossível, o que desencadeou uma evolução nos estudos de dor crônica, nos últimos 20 anos (1).

Entre as pessoas com dor que procuram um profissional de saúde, a dor e a função melhoram substancialmente no primeiro mês (2). Na verdade, a maioria dos indivíduos com dor lombar aguda não passa a desenvolver sintomas incapacitantes crônicos, muitos apresentam sintomas com pouca anormalidade espinhal reconhecível. Alterações comuns de imagem (por exemplo, doença degenerativa do disco ou abaulamento discal) são pouco relacionadas com a presença de sintomas, de modo que a maioria dos pacientes de cuidados primários com dor lombar (aproximadamente 85%) tem dor que é denominada não específica (3, 4, 5).

Mas infelizmente, isso não tem feito muita diferença. A dor lombar continua sendo uma das principais causas de incapacidade em todo o mundo com uma incidência de 51% a 84% (6, 7). O que, de forma geral, significa que nossa principal arma contra a dor lombar, o modelo anatomopatológico de avaliação e tratamento, não está funcionando.

Estamos perdendo a guerra contra a dor lombar. Na realidade, nem chega a ser uma guerra, é um extermínio. É como se a dor lombar fosse os extraterrestres do filme “Independence Day” invadindo o planeta, e nós, os humanos, mas do filme “O Planeta dos Macacos”. Não temos tecnologia para bater de frente, apenas para se esconder e remediar os feridos. Apenas alguns sortudos escapam do ataque, sabe-se lá como.

Está na hora de repensarmos o modelo de atendimento na dor lombar. Ficar isolado em um consultório prescrevendo tratamentos de cunho técnico, não adianta mais. É urgente a inserção de outras variáveis, como as questões psicossociais dos pacientes e a educação da população quanto ao seu estilo de vida.

REFERÊNCIAS

1 Deyo RA. Diagnostic Evaluation of LBP. Reaching a Specific Diagnosis Is Often Impossible. Arch Intern Med. 2002 Jul 8;162(13):1444-7; discussion 1447-8.

2 Pengel LH, Herbert RD, Maher CG, Refshauge KM. Acute low back pain: systematic review of its prognosis. BMJ. 2003;327(7410):323.

3 Jarvik JG, Deyo RA. Diagnostic evaluation of low back pain with emphasis on imaging. Ann Intern Med. 2002;137(7):586-597.

4 van Tulder MW, Assendelft WJ, Koes BW, Bouter LM. Spinal radiographic findings and nonspecific low back pain: a systematic review of observational studies. Spine (Phila Pa 1976). 1997;22(4):427- 434.

5 Deyo RA, Diehl AK. Cancer as a cause of back pain: frequency, clinical presentation, and diagnostic strategies. J Gen Intern Med. 1988;3(3):230-238.

6 Murray CJ, Atkinson C, Bhalla K, et al; US Burden of Disease Collaborators. The state of US health, 1990-2010: burden of diseases, injuries, and risk factors. JAMA. 2013; 310(6):591-608.

7 Henschke N, Kamper SJ, Maher CG. The epidemiology and economic consequences of pain. Mayo Clin Proc. 2015;90(1): 139-147.

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