A urgência da dor lombar na emergência

Não existem meias palavras para falar sobre esse assunto: o atendimento a pacientes com dor lombar na emergência dos hospitais e nos postos de saúde é lamentável.

Apesar de a maioria dos acometimentos de dor lombar na emergência serem semelhantes às observadas na prática clínica (dor lombar não específica sem patologias graves), a maioria dos pacientes com dor lombar recebem o tratamento errado dos profissionais que os atendem. Os problemas típicos que acontecem são excesso de solicitação dos exames de imagem, a prescrição de opióides e internações hospitalares desnecessárias.

Os pacientes que passam na emergência perdem conceitos básicos de cuidados, e são liberados sem o conhecimento sobre como auto-gerenciar a condição. Além disso, por receberem cuidados mais complicados do que o necessário, podem desviar funcionários e recursos para longe dos pacientes mais críticos, ou seja, acabam gastando tempo e recursos financeiros que poderiam ser melhor utilizados com casos mais graves.

A intenção aqui não é gerar apenas uma crítica ao profissional que atende, pois, sei que existe uma dificuldade em manter-se atualizado em todas as diretrizes de todos os problemas de saúde, além da escassez de profissionais em muitos postos de saúde e emergências, que acabam dificultando um bom atendimento. Entretanto, é urgente uma reflexão acerca do modelo de atendimento, falho, do ponto de vista das evidências científicas.

Campanhas maciças de combate a febre amarela, dengue, diversos tipos de câncer, gripe e a diversas outras condições são extremamente comuns nos postos de saúde e nas emergências, mas cartazes falando sobre o automanejo de condições ortopédicas, como a dor lombar, são praticamente inexistentes.

Será que não está na hora dos órgãos de saúde atualizarem seu protocolo de atendimento em relação às questões ortopédicas? Uma triagem para um paciente com dor lombar não precisa ser necessariamente realizada por um médico. Um enfermeiro, um técnico de enfermagem ou até um agente de saúde bem treinado poderia realizar esse tipo de triagem. Ou porque não começar a utilizar Fisioterapeutas nos postos de saúde, como forma de avaliar esses indivíduos e diminuir os gastos com medicamentos, exames desnecessários e internações?

#FicaADica #MinistérioDaSaúde

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REFERÊNCIAS

Maher C, Underwood M, Buchbinder R. Non-specific low back pain. Lancet 2017; 389: 736–47.

Machado GC, Rogan E, Maher CG. Managing non-serious low back pain in the emergency department: Time for a change? Emerg Med Australas. 2017 Nov 16.

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